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Saúde

Quem é dono da razão?

Essas eleições me fizeram refletir bastante sobre diversos aspectos da nossa vida, sendo que muitos deles assemelham-se com o mundo da nutrição e dos influenciadores digitais.

Quem nunca se viu perdido no meio dessa avalanche de informações sobre saúde e alimentação?

Como saber quem está certo se você não é da área?

Quem tem razão, afinal?

Não é simples!

Geralmente quem defende um ponto de vista veementemente usa um discurso de convencimento muito forte para provar a sua “verdade absoluta”.

Falando em nutrição, fica mais difícil ainda já que é só citar inúmeros artigos científicos para ganhar credibilidade. Quem vai duvidar da ciência, não é mesmo?

Quem paga o pato? A ciência da nutrição, que fica desacreditada…

“Um dia isso faz bem e no outro faz mal, Dra!”

Há uma divulgação irresponsável de “conclusões” de artigos científicos, tanto de boa quanto de baixa qualidade. Escrevo entre aspas, pois quando falamos em artigos na área da saúde não temos como conclusão uma verdade absoluta e imutável. Não é uma ciência exata, felizmente ou infelizmente. Por isso, um único estudo não é o suficiente para predizer condutas nutricionais e/ou derrubar paradigmas.

Na verdade, são necessários vários estudos, bem conduzidos, com boa metodologia e reprodutíveis; além disso, são feitas meta análises, revisões sistemáticas, o caminho é longo…

No entanto, o que vemos com frequência é:

” Estudo mostra o segredo para o emagrecimento”

“Estudo mostra o poder da casca de tal alimento”.

” Estudo mostra que tal alimento faz mal”

Quanto mais polêmicos, mais rápido é a divulgação.

Uma divulgação sem contextualização adequada pode transformar uma hipótese em verdade e provocar um alarde desnecessário. A depender da divulgação, esta pode ser prejudicial para a população, como o caso das vacinas.

Precisamos tratar a ciência com a devida responsabilidade. Saber que os estudos científicos possuem pesos diferentes, principalmente para condutas clínicas. Um estudo feito em ratos não pode ser tratado como conduta em consultório e possui um valor infinitamente menor do que uma meta análise, por exemplo. É urgente entender que a interpretação é essencial e vai muito além da leitura do resumo. Precisamos observar as limitações, ser crítico e verificar os estudos conflitantes.

O caminho entre a bancada do laboratório e a mesa do consultório é longo!

Para fugir de ciladas sempre tenha alguns questionamentos:

– Afirmações que são completamente diferentes de tudo que você aprendeu devem ser interpretadas com cautela

-Explicações como: “na prática funciona” não são suficientes

– Soluções fáceis para algo tão completo como o corpo humano cheira a charlatanismo

– Seja crítico se seu médico/nutricionista prescreve inmeras cápsulas

– Questione a retirada de alimentos naturais do seu padrão alimentar

E NUNCA considere livros comerciais como fontes confiáveis 🙂

Bjs,

Isabela

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